O cenário industrial em Criciúma foi marcado nesta quarta-feira (23) pela paralisação de parte das metalúrgicas da região, um reflexo da intensificação do conflito entre trabalhadores e o setor patronal. Após meses de negociações infrutíferas, a categoria decidiu cruzar os braços, dando início a uma greve que ameaça se alastrar para outras unidades produtivas nos próximos dias. A Sical foi uma das primeiras empresas a ter suas atividades interrompidas.

O cerne da discórdia reside na data-base da categoria, estabelecida em maio, desde então, as conversas sobre o reajuste salarial não avançaram para um consenso. O sindicato patronal alega que a proposta apresentada, de reposição de 4,11% (IPCA) mais ganho real de 25%, leva em consideração o atual cenário econômico e as dificuldades financeiras das empresas. Por outro lado, os representantes dos trabalhadores consideram o aumento oferecido insuficiente e reivindicam um percentual maior, argumentando que a demora na resolução do conflito tem gerado crescente insatisfação nas fábricas.

O advogado do Sindicato dos Metalúrgicos, Gilvan Francisco, classificou a greve como "o último remédio em uma negociação coletiva", ressaltando que a exasperação dos trabalhadores aumentou devido à prolongada ausência de um acordo. Ele também mencionou a realização de uma pesquisa interna para medir a expectativa da categoria antes da deflagração do movimento. Francisco ainda apontou a diferença de acordos em outras regiões, como Joinville, e a dificuldade em reter mão de obra qualificada localmente como fatores que impactam a negociação, sugerindo que salários e benefícios mais atrativos em outros locais levam profissionais a buscar oportunidades fora da região.

Aloír Librelato, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico, reconheceu que os valores negociados servem como base e que empresas individuais podem oferecer remunerações superiores. Ele destacou que algumas indústrias já implementam planos de cargos e salários para valorizar seus colaboradores. Apesar da paralisação, ambas as partes afirmam manter o canal de diálogo aberto, na esperança de que o "bom senso" prevaleça e permita a retomada das negociações para se chegar a um acordo que encerre o movimento grevista.