A Polícia Militar de Criciúma contestou publicamente as afirmações de um pré-candidato à Presidência da República, que em vídeo divulgado nas redes sociais, declarou que o bairro Pinheirinho estaria dominado por facções criminosas. As declarações, feitas por Renan Santos do Partido Missão durante sua visita à cidade, geraram ampla repercussão em níveis local, estadual e até nacional, levantando debates sobre a segurança pública na região sul catarinense.

O tenente-coronel Mário Luiz Silva, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, foi enfático ao refutar as alegações. Ele assegurou que não há, em Criciúma, nenhuma área sob controle de organizações criminosas, nem mesmo o bairro Pinheirinho. Segundo o comandante, um cenário de domínio territorial estruturado por facções, como o descrito pelo presidenciável, não se verifica na cidade ou em qualquer parte do estado de Santa Catarina, desmistificando a percepção de uma "pecha" criminal sobre a localidade.

O comandante explicou que os desafios de segurança enfrentados no Pinheirinho, especialmente nas proximidades da linha férrea, estão intrinsecamente ligados a fatores urbanos e sociais. A ocupação irregular do solo ao longo dos anos resultou em uma organização territorial desordenada, o que dificulta a atuação efetiva do poder público e impacta diretamente a segurança. Além disso, Mário Luiz Silva apontou a reincidência criminal como um fator crítico, afirmando que muitos dos envolvidos com o tráfico na região já foram detidos inúmeras vezes, mas retornam às atividades ilícitas devido à legislação penal, que ele classifica como "altamente benevolente".

Ainda de acordo com o comandante, operações policiais, embora essenciais, não são suficientes de forma isolada para solucionar os complexos problemas de segurança do bairro. Ele defende que uma solução duradoura e eficaz depende de uma atuação conjunta e coordenada de diferentes esferas, incluindo os setores da justiça e da legislação. O tenente-coronel reforçou que sua manifestação pública teve um caráter informativo, visando esclarecer a população sobre o trabalho contínuo da Polícia Militar na área e não para responder diretamente a posicionamentos políticos, apesar do bairro ser frequentemente palco de discussões sobre segurança pública.