Em um contexto global de endurecimento de políticas migratórias, Criciúma, no Sul de Santa Catarina, tem se destacado por um caminho de acolhimento e integração. A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) tem intensificado seus projetos voltados à população imigrante, buscando não apenas facilitar a adaptação, mas também melhorar a qualidade de vida, o acesso a serviços essenciais como saúde e educação, e promover a integração social.

Com mais de 4 mil estrangeiros residentes em 2025, vindos de países como Venezuela, Haiti, Angola e Senegal, Criciúma enfrenta os desafios inerentes à chegada de novos moradores, como a barreira do idioma, a falta de informação sobre serviços públicos e as dificuldades de adaptação cultural. Para responder a essa realidade, a Unesc tem direcionado pesquisas e ações de extensão para além de seus estudantes internacionais, englobando a comunidade migrante que reside e trabalha na cidade.

Um dos pilares dessa atuação é o projeto Migrar, uma pesquisa epidemiológica que investigou as condições de vida e saúde de 119 imigrantes residentes na cidade há pelo menos seis meses. Os resultados preliminares apontam para uma população vulnerável, muitas vezes forçada a deixar seus países por questões socioeconômicas ou ambientais, chegando ao Brasil sem uma rede de apoio consolidada. A pesquisa visa subsidiar a criação de futuras políticas públicas e trabalhos científicos focados no acolhimento.

Outra iniciativa crucial é o projeto ImigraSUS, que identificou, em parceria com unidades básicas de saúde, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde, especialmente a barreira comunicacional, que afeta desproporcionalmente mulheres grávidas e famílias. Em resposta, a universidade desenvolveu campanhas informativas em múltiplos idiomas e fortaleceu o ensino do português como língua de acolhimento, oferecendo ferramentas práticas para o cotidiano e acelerando a integração social e profissional dos imigrantes.

Exemplos como o do professor senegalês Mohamed Mustafá, que chegou a Criciúma para aprender português e hoje leciona na própria Unesc, e de jovens da Guiné-Bissau e Angola que escolheram a cidade para estudar e encontrar apoio institucional para sua adaptação, ilustram o impacto positivo dessas ações. A universidade se posiciona como um agente fundamental na defesa dos direitos humanos e na promoção de uma sociedade mais inclusiva, lembrando que a própria história de Santa Catarina é construída por processos migratórios.