Essa e outras notas na coluna Política do Tribuna de Notícias deste final de semana
Dois vereadores de Criciúma estão na iminência de serem despejados de seus gabinetes. Ocorre que as salas que eles ocupam foram solicitadas pelos proprietários. São duas das 20 salas que a Câmara mantém alugadas no Centro Profissional para suas atividades.
O insólito problema, que envolve os mandatos de Obadias Benones (PL) e Luiz Fontana (PL), demonstra o papel humilhante ao qual foi exposto o Legislativo com o passar dos anos. E há interessados nisso, gente que não quer admitir o papel constitucional importantíssimo que uma Câmara exerce.
Analisando do ponto de vista local, haveria um clima de anarquia sem Legislativo. Áreas verdes não estariam preservadas. Prefeitos seriam ditadores (alguns chegaram perto). Empresários fariam o que bem entendessem. Entidades e comunidades não seriam beneficiados com inúmeros programas que derivam dos projetos que passam pelo plenário.
Uma Câmara é um funil social, e na ponta deste funil estão, no nosso caso, 17 que, com suas capacidades e limitações, lutam por espaço político mas, também, representam um poder que não pode ser marginalizado nem sucateado.
A Câmara de Criciúma não tem banheiro feminino. Quando uma mulher participa de uma sessão, algum homem – até vereador já fez isso – corre em um dos “banheiros unissex” para ver se está tudo em ordem para que, então, a visitante, ou até uma vereadora, faça uso. Há quem brigue tanto contra os banheiros unissex mas, na Câmara de Criciúma, é assim que funciona. Tentar estacionar no entorno da atual sede é uma aventura, por isso o Legislativo alugou 40 vagas em edifício próximo. Senão, vereadores e assessores não chegavam em tempo para o trabalho.
No centro disso, a falta da sede própria. Os R$ 700 mil pagos anualmente em aluguéis já teriam, na soma dos contratos, construído algumas sedes dignas para o “poder do povo”. A quem interessa humilhar o “poder do povo?”. É preciso vencer o “viralatismo” e dar poder a esse “poder”.

