Um novo embate marcou as sessões da Câmara de Vereadores de Criciúma, envolvendo parlamentares da base governista e da oposição. O vereador Obadias Benones (PL) defendeu enfaticamente o papel de fiscalização do Poder Legislativo, criticando o que chamou de "postura" da base aliada ao prefeito. Em contrapartida, o vereador Marcos Machado (MDB) refutou as críticas, alegando que o prefeito Vaguinho tem sido alvo de "ataques pessoais" durante as sessões.
A polêmica se aprofundou com declarações feitas anteriormente na tribuna, referências diretas ao prefeito e até mesmo uma fala de Machado que Benones interpretou como uma provocação à bancada do PL, envolvendo uma menção ao governador Jorginho Mello.
Benones argumentou que o ofício do vereador é fiscalizar o Poder Executivo, independentemente de sua posição política. Ele ressaltou que os questionamentos feitos pela bancada do PL visam discutir problemas da cidade, e não realizar ataques pessoais ao prefeito. "Se a gente não puder levantar para criticar, para apontar, para sugerir, fecha a casa", declarou o parlamentar, criticando a atuação da base governista que, em sua avaliação, estaria mais preocupada em defender o governo do que em ampliar o debate legislativo.
O vereador também se disse ofendido por uma declaração atribuída ao líder do governo, ressaltando seu papel como pai de família, trabalhador e representante de milhares de votos. Benones admitiu ter chamado o prefeito de "mentiroso" em um "calor da emoção" e no "calor da discussão", mas afirmou ter se retratado e pedido desculpas posteriormente. Ele defendeu que o mesmo princípio de perdão deveria ser aplicado às declarações de outros vereadores, especialmente após Machado ter, segundo Benones, utilizado a expressão "cachorrinhos do governador Jorginho Mello" para se referir a integrantes do PL, o que, para Benones, "não cabe" em um debate parlamentar.
Marcos Machado, por sua vez, apresentou uma versão distinta dos fatos, atribuindo parte do clima de tensão ao fato de alguns vereadores ainda não terem "deixado de lado as bandeiras partidárias". Ele elogiou a postura de diálogo do prefeito Vaguinho e sua relação institucional com o governador Jorginho Mello. Machado afirmou que as críticas ao prefeito têm ultrapassado a esfera administrativa, tornando-se "pessoais", citando episódios anteriores em que o prefeito foi chamado de "mentiroso" e questionamentos sobre sua honra. Ele contestou informações sobre gastos públicos, classificando-as como falsas e que "incomodam o convívio diário".
Questionado sobre a acusação de ter chamado vereadores do PL de "cachorros", Machado negou veementemente. Ele explicou que a referência feita em seu discurso estava relacionada ao mês de agosto e a uma recomendação sobre vacinação de animais, mencionando inclusive o nome de um cachorro, sem fazer qualquer associação pejorativa com os parlamentares. Machado sugeriu a consulta da gravação do discurso para verificar o contexto e ainda questionou a reação, lembrando que a base governista já teria sido chamada de "cadelinhas do prefeito" em ocasiões anteriores.

